PRESIDENTE DO BRADESCO DIZ QUE TERMINOU DE ‘CORTAR O MATO ALTO’, SE REFERINDO ÀS DEMISSÕES DE BANCÁRIOS

A ganância, crueldade e desumanidade dos banqueiros não têm limites. Em referência ao corte de mão de obra através da política de demissão em massa de trabalhadores, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior, disse em teleconferência que “agora, no quarto trimestre, nós terminamos de ‘cortar o mato alto’. E, a partir de 2021, será tiro no sniper. Nós iremos no detalhe de cada área para sermos mais eficientes”, declarou, causando grande indignação e mal-estar entre os bancários. A palavra “sniper”, significa franco-atirador.

“É impressionante a crueldade dos banqueiros, que tratam o trabalhador como se fora “mato” que precisa ser cortado e não vidas humanas, famílias, que precisam de seus empregos para o sustento e são na verdade, o maior patrimônio das empresas, pois os empregados constroem toda a riqueza dos patrões”, critica o diretor do Sindicato dos Bancários do Rio, Sérgio Menezes.

Para o sindicalista, a expressão “franco-atirador” deixa escapar que o banco ainda prepara a última bala para exterminar mais empregos.

“A sociedade precisa saber que os bancos e grandes empresas privadas no Brasil acham que eficiência é explorar, assediar, adoecer e demitir. Vamos continuar denunciando essa desumanidade com paralisações, protestos e campanhas nas redes sociais”, acrescenta Menezes.

O Bradesco já demitiu cerca de dois mil trabalhadores em todo o país. Na sede do Sindicato, no Rio, não para de chegar bancários que foram dispensados para realizar a homologação. O Departamento Jurídico da entidade sindical tem conseguido reverter inúmeras dispensas ilegais, como no caso de empregados doentes, em licença médica e no período de pré-aposentadoria.

Santander e Itaú não permitiram que os funcionários demitidos fizessem a homologação no Sindicato, mas na própria empresa, o que torna o trabalhador mais vulnerável no que se refere à proteção de seus direitos.

A Reforma Trabalhista (lei 13.467/2017) revogou os §§ 1º e 3º do art. 477 da CLT, desobrigando a empresa de fazer a homologação junto ao sindicato da categoria. A mudança de regras aconteceu no governo Michel Temer, que assumiu a presidência da República após a queda da presidenta Dilma Rousseff. O projeto foi elaborado pelo então Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, sob a promessa de gerar milhões de novos empregos, o que de fato não aconteceu.

Os bancos apoiaram o impeachment de Dilma e o governo Temer. O presidente do Bradesco é um dos maiores entusiastas do governo Jair Bolsonaro e fez o papel de garoto-propaganda das reformas neoliberais impostas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento com mil agentes do sistema financeiro em Nova York, nos Estados Unidos, no ano passado.

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