A sétima rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, realizada nesta quinta-feira (13), entre a CONTEC e a FENABAN, avançou para um cenário de forte preocupação para a categoria. Na primeira parte da negociação, a representação dos bancos não apresentou um índice de reajuste para os salários e demais verbas econômicas reivindicadas pelos trabalhadores. Em contrapartida, colocou em discussão propostas que podem reduzir e regionalizar direitos hoje assegurados nacionalmente aos bancários. Entre as possibilidades apresentadas estão valores diferenciados de reajuste salarial, benefícios de alimentação definidos de acordo com a localidade e diferenciação do piso salarial conforme o local de atuação do trabalhador.Para a representação dos trabalhadores, propostas dessa natureza ameaçam um dos principais pilares da organização da categoria: uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) nacional, com direitos assegurados aos bancários independentemente da região do país em que trabalham.
• VA e VR: FENABAN defende redução e regionalização
A discussão sobre os benefícios de alimentação foi um dos pontos de maior tensão da rodada. A FENABAN apresentou números segundo os quais a inflação acumulada em 12 meses seria de 2,57% para alimentação e 4,50% para refeição fora do domicílio.A representação patronal também comparou os benefícios dos bancários com os pagos a trabalhadores de outras categorias, argumentando que os valores recebidos pelos bancários estão acima dos praticados em outros setores. A comparação foi utilizada para sustentar a posição de que não haveria espaço para a valorização dos benefícios nos patamares reivindicados pela categoria. Além disso, os bancos apresentaram a possibilidade de vincular o benefício de alimentação aos valores da cesta básica divulgados pelo DIEESE em cada estado/localidade. A adoção desse critério poderia provocar redução expressiva do benefício em diversas regiões, além de criar valores diferentes para trabalhadores abrangidos pela mesma Convenção Coletiva.Os representantes dos trabalhadores rechaçaram a proposta, ressaltando que as conquistas da categoria não podem ser comparadas com benefícios inferiores de outros setores para justificar retrocessos. A avaliação da representação sindical é de que regionalizar benefícios e pisos significaria enfraquecer a Convenção Coletiva nacional e desconsiderar décadas de negociações, mobilizações e conquistas construídas pelo movimento sindical bancário.
• PLR: bancos não aceitam mudar modelo de cálculo
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) também foi objeto de discussão na mesa.
A FENABAN afirmou que não vê espaço para alterações na atual fórmula de cálculo da PLR. Como justificativa, sustentou que o crescimento dos resultados das instituições financeiras já se refletiria no valor recebido pelos trabalhadores por meio das regras existentes. A representação dos trabalhadores, entretanto, defende que os resultados expressivos alcançados pelo sistema financeiro precisam resultar em maior valorização de quem contribui diretamente para a construção desses lucros. A reivindicação permanece pela valorização da PLR, assim como por aumento real nos salários, valorização dos pisos e melhoria dos benefícios econômicos para toda a categoria, preservando o caráter nacional dessas conquistas.
• Trabalhadores rejeitam divisão da categoria
A representação dos trabalhadores deixou claro durante a negociação que não aceitará propostas que criem bancários com direitos diferentes dependendo do banco, cidade ou estado onde trabalham. A defesa é de uma negociação nacional que preserve a unidade entre trabalhadores dos bancos públicos e privados e assegure avanços para toda a categoria. A proposta apresentada pela FENABAN foi uma afronta aos bancários e à história de luta da nossa categoria. Não estamos falando de benefícios concedidos espontaneamente pelos bancos, mas de conquistas construídas ao longo de décadas de mobilização e negociação coletiva. Regionalizar salários, pisos ou benefícios e reduzir o que o trabalhador recebe hoje significa atacar a nossa Convenção Coletiva e tentar nivelar direitos por baixo. Os bancos acumulam lucros bilionários graças também ao trabalho dos bancários. Não há justificativa para utilizar benefícios menores de outras categorias como parâmetro para retirar aquilo que os bancários conquistaram. O movimento sindical rechaça qualquer tentativa de retrocesso. Conquista não se reduz: se preserva e se amplia.
A rodada de negociação de hoje está suspensa, com previsão de retorno às 16h.
























