SANTANDER, ITAÚ E BRADESCO FECHAM 837 AGÊNCIAS E DEMITEM 14 MIL FUNCIONÁRIOS

SANTANDER, ITAÚ E BRADESCO FECHAM 837 AGÊNCIAS E DEMITEM 14 MIL FUNCIONÁRIOS

Três dos maiores bancos privados do Brasil reduziram de forma significativa suas estruturas físicas e seus quadros de funcionários. Em apenas 12 meses, Itaú, Santander e Bradesco fecharam, juntos, 837 agências e eliminaram mais de 14 mil postos de trabalho no país.(Por Gabriel Almeida)

O movimento ocorre enquanto os clientes utilizam cada vez mais aplicativos, internet banking e outros serviços digitais. Com menos pessoas procurando atendimento presencial, as instituições aceleraram a revisão das redes de agências e concentraram diferentes operações nos canais digitais.

Ao todo, os três bancos eliminaram 14.157 postos de trabalho no período analisado. O Santander apresentou a maior redução, com 6.591 vagas a menos. Em seguida aparece o Itaú, com 5.118 postos eliminados, enquanto o Bradesco reduziu seu quadro em 2.448 trabalhadores.

Além disso, outro levantamento, baseado nos balanços das instituições e divulgado pelo Broadcast, apontou aproximadamente 14,3 mil funcionários desligados nos três maiores bancos privados no intervalo de 12 meses encerrado em junho de 2026.

Itaú, Santander e Bradesco fecham 837 agências bancárias
A redução também chegou às unidades físicas. Segundo levantamento divulgado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Itaú, Santander e Bradesco encerraram 837 agências em um ano.

Nesse recorte, o Itaú aparece na primeira posição, com 335 agências encerradas. O Bradesco fechou outras 324 unidades, enquanto o Santander reduziu sua rede em 178 agências.

Somados, os números representam uma diminuição de aproximadamente 16% da rede considerada pelo levantamento.

Entretanto, quando entram na conta outros formatos de atendimento, como Postos de Atendimento Bancário (PABs), o encolhimento da estrutura física fica ainda maior. Um levantamento publicado em agosto apontou aproximadamente 2 mil pontos de atendimento fechados pelos três bancos em 12 meses, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Santander lidera redução de funcionários
Entre os três bancos, o Santander registrou a maior diminuição no quadro de pessoal. Em um ano, a instituição contabilizou 6.591 postos de trabalho a menos.

O banco também vem reduzindo sua presença física. Além das agências encerradas, outros formatos de atendimento passaram por cortes. Ao longo de 2025 e de 2026, sindicatos realizaram manifestações contra demissões e contra o fechamento de unidades do Santander.

O próprio Santander mantém uma página destinada aos clientes de agências encerradas. Nela, o banco orienta os correntistas a utilizar o aplicativo, o atendimento digital, os caixas da rede Banco24Horas ou outras unidades físicas disponíveis.

Itaú demite 5 mil funcionários
No Itaú, a redução chegou a 5.118 postos de trabalho em 12 meses no levantamento conjunto dos três bancos.

Além disso, a instituição protagonizou um episódio de demissão em massa que gerou reação das entidades sindicais. O Sindicato dos Bancários de São Paulo registra 1.162 demissões promovidas pelo banco e afirma que posteriormente houve negociação envolvendo compensações aos trabalhadores atingidos.

Ao mesmo tempo, o banco continuou diminuindo sua estrutura presencial. Dados divulgados após o balanço do primeiro semestre mostram uma forte redução no número de unidades físicas.

O presidente do Itaú, Milton Maluhy, relacionou essa transformação à mudança de comportamento dos clientes. Segundo ele, o fluxo nas agências recuou para cerca de um quarto do nível registrado antes da pandemia. A digitalização acelerada nos últimos anos levou os bancos a revisar seus modelos de atendimento.

Bradesco fecha 324 agências bancárias
O Bradesco, por sua vez, encerrou 324 agências e reduziu o quadro em 2.448 funcionários no intervalo de 12 meses encerrado em junho de 2026.

Somente no segundo trimestre, a instituição registrou redução de 868 postos. Ao final do semestre, o banco possuía aproximadamente 79,7 mil funcionários.

A instituição afirma que cerca de 98% das transações de seus clientes já acontecem pelos meios digitais. Por isso, o Bradesco diz que ajusta sua rede conforme a procura pelo atendimento presencial e o comportamento dos consumidores.

Ao comentar a redução do quadro, entretanto, o banco afirmou que não mantém um programa de demissões. Segundo a instituição, ela procura priorizar a movimentação interna, a realocação e o reposicionamento de profissionais quando realiza mudanças em sua estrutura.

Bancos avançam para atendimento cada vez mais digital
A transformação não começou agora. Nos últimos anos, os grandes bancos brasileiros passaram a investir bilhões de reais em tecnologia ao mesmo tempo em que aplicativos assumiram tarefas que antes exigiam uma ida à agência.

Pix, pagamentos, contratação de crédito, investimentos, transferências, renegociação de dívidas e até abertura de contas passaram a ocorrer diretamente pelo celular.

Consequentemente, manter grandes estruturas físicas perdeu importância dentro da estratégia das instituições. Além disso, bancos tradicionais passaram a enfrentar concorrência direta de fintechs e bancos digitais que nasceram praticamente sem agências.

Os números mais recentes mostram a dimensão dessa mudança. Em apenas um ano, Itaú, Santander e Bradesco eliminaram 14.157 postos de trabalho e fecharam 837 agências na comparação utilizada pelo levantamento sindical.

Ao considerar também postos de atendimento e outras estruturas físicas, o número de unidades encerradas se aproxima de 2 mil no mesmo período. Dessa forma, a transformação digital que começou como uma alternativa para os clientes está mudando também o tamanho das redes físicas e a quantidade de trabalhadores empregados pelos maiores bancos privados do país. (Fonte: Tempo Novo)

Foto de SintrafGV Valadares

SintrafGV Valadares